COMBUSTÍVEL OU EXTINTOR?

0
5045

Viver em sociedade demanda um principal e indispensável exercício: o diálogo.

Não existe nada que nós, enquanto seres humanos, possamos fazer que não seja estruturado em seus fundamentos por uma boa e clara conversa. É aí que temos a oportunidade de apresentar às outras pessoas o que pensamos e pretendemos, e, a partir da manifestação da outra pessoa, conseguimos alinhar as expectativas e ideias para, aí sim, executarmos algo.

É importante pontuar que o fato de existir uma conversa não significa, necessariamente, que existe um diálogo, uma vez que a diferença entre os dois reside na existência ou não de reciprocidade.

Enquanto a conversa é apenas uma expressão de alguma ideia ou pensamento, que, inclusive, alguém pode fazer sozinho (quem nunca falou sozinho na rua, ou até mesmo alguém te deixou falando sozinho, rs), o diálogo pressupõe uma interação na comunicação.
O diálogo é elementar! Assim como não existe vida sem oxigênio, não pode haver sociedade (saudável) sem diálogo.

Não tem como conviver sem diálogo, porque aquilo que não é dito é pensado, e nem sempre (eu diria, quase nunca) o que pensamos de fato representa aquilo que a pessoa quis dizer, e é justamente por isso que as pessoas se afastam: porque elas deduzem mais do que dialogam.

É nesse diálogo, nessa interação de falas, que podem existir as maiores construções, ou os maiores embates.
Na expressão de uma ideia ou posicionamento, muito facilmente podem existir pontos de discordância, o que é totalmente natural, e eu até diria, necessário.

Mas é justamente sobre como nos posicionamos nesses diálogos e, especialmente, nas discordâncias, que gira em torno o título desse texto.
Precisamos pensar sobre como respondemos a seguinte pergunta: Nossas palavras são o combustível que alimenta uma explosão ou um extintor que apaga incêndios?

Ou seja, quando abro a minha boca e me manifesto sobre qualquer coisa, eu quero estou sendo combustível e inflamando ainda mais a situação, literalmente colocando “fogo no parquinho”, causando discórdia e desencontro entre as pessoas?
Ou será que minhas palavras têm buscado ser um verdadeiro extintor, buscando sempre dialogar, entender o que o outro quer dizer, tentando pacificar a situação e viver em paz?

Precisamos ser intencionais e saber para quê nossas palavras têm sido usadas, se para pacificar ou inflamar.
Assim como um grande navio é dirigido por um leme tão pequeno conforme a vontade do piloto (Tiago 3.3-10), nosso grande desafio é sermos honestos com nós mesmos e tomarmos o controle sobre aquilo que dizemos.

Não seja ‘vítima’ das situações e responda no automático. Tenha consciência do poder de suas palavras e antes de dizer algo pense se você está sendo combustível que alimenta uma explosão ou um extintor que apaga incêndios.
A vida é curta demais para ser pequena.
Que sejamos pessoas melhores e maiores.

Raphael Vilela
Redes sociais (Facebook) (instagram)