Defeitos

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Já tive oportunidade de escrever, em outro periódico, sobre “defeitos”, em especial sobre os defeitos que os famosos, quando indagados sobre os seus, admitem ter.

Como é previsível, e também acontece com a gente (comuns mortais que não estrelamos comerciais de shampoo, cremes ou bebidas), os famosos reconhecem apenas aqueles defeitos que podem, quando visto pelo ângulo adequado, ser confundidos com virtudes, do tipo “Sou muito exigente comigo mesmo” ou então “Meu perfeccionismo me faz dormir pouco”. Quando muito, ouve-se um discreto “Sou um pouco pão duro”.

Sendo assim, acaso verdadeiras as declarações dos famosos, nenhum deles é egoísta, luxurioso, invejoso ou preguiçoso, para ficar só nos pecados capitais. Ou seja, se o mundo está ruim das pernas, a culpa é dos anônimos, como você que me lê, o meu vizinho… (quanto a mim, admito o pecado do egoísmo que, por sorte, só não é maior por conta da minha preguiça).

Agora falando sério, e que ninguém nos leia: não causa estranheza que ninguém admita ter defeitos e o mundo estar nessa m… que todos sabemos, o Brasil em especial? Afinal, se todos são bons, exceto meu vizinho e eu, porque os problemas do mundo não se resolvem? De duas, uma: ou mentimos todos ou não temos espelho em casa que reflita quem realmente somos.

José Carlos Botelho Tedesco (Alemão Tedesco) é advogado, pai do Luigi, namorado da Juliana, filho do seu Tedesco e da professora Maria Antonia

e-mail: zeum@uol.com.br / Facebook: Alemão Tedesco e Alemão Tedesco II /  Twitter: @alemaotedesco

PS Sobre espelhos, é conhecida a superstição (ou praga) de que quebrá-los traz sete anos de azar. Alguns dizem que essa crença teve origem na Grécia antiga, onde se acreditava que os reflexos eram uma espécie de “capa” da alma das pessoas e que, portanto, quando se quebrava um espelho, se estava quebrando a própria alma o que, certamente, é um grande azar.

Outros apontam a cidade de Veneza, na Itália, como a origem da superstição, e tem razões mais triviais, que falam não à alma dos homens, mas ao bolso. Segundo estes “entendidos”, os primeiros espelhos, como os conhecemos hoje, eram muito caros, de modo que para que os serviçais tivessem o máximo de cuidado ao limpá-los, as pessoas inventavam que, se as peças fossem quebradas, os responsáveis teriam muitos anos de azar.

Seja como for, o só fato dessa superstição ainda ser levada a sério em praticamente todas as culturas ao redor do mundo diz muito sobre a humanidade, e não é coisa boa.

E você, já quebrou um espelho hoje? Ou passou debaixo de uma escada?

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