Se fosse diferente, dava sempre empate

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Um dito popular, preconceituoso, mas muito utilizado, diz que se “macumba” resolvesse alguma coisa, campeonato de futebol na Bahia terminava empatado. Faz sentido, e o “moral” da história me faz lembrar de uma pregação que ouvi a respeito da passagem bíblica da ressurreição de Lázaro.

Diz o texto bíblico que a irmã de Lázaro se lamentava com o nazareno pela morte do irmão, e dizia a Jesus que ele poderia ter feito alguma coisa para evitar a morte do amigo.

Jesus então se encaminhou ao local onde o amigo estava sepultado, uma espécie da caverna incrustada na montanha, fechada por uma enorme pedra, e após ordenar que tirassem a rocha que cobria a entrada, se aproximou do corpo de Lázaro e o resto todo mundo já sabe: ordenou que ele saísse do sepulcro, e Lázaro então ressuscitou.

Lázaro saiu, mas continuava com os braços e pernas atadas por faixas e o rosto também coberto por elas. Jesus então ordenou às pessoas que se encontravam próximas que removessem as faixas, o que foi feito, e então Lázaro se foi.

Esse é o feito que serviu para muitos passassem a acreditar nas palavras de Jesus, mas também para indicar o papel que cabe a cada um no mundo.

Que diabo, se Deus deu a seu filho o poder de ressuscitar alguém, é óbvio que Jesus não precisava pedir às pessoas que o acompanhavam que removessem a pedra do sepulcro e tampouco que tirassem as faixas do corpo que acabara de ressuscitar. Ele poderia com um só gesto, como num espetáculo, ordenar que as pedras que estivessem no caminho voassem e se desintegrassem, ou qualquer coisa assim, e então o corpo de Lázaro viria flutuando, cercado de uma aura brilhante.

Mas não foi o que aconteceu, e não aconteceu porque o trabalho de retirar as pedras e as faixas, e mesmo o caminhar de Lázaro, era possível de ser feito pelo homem, e não cabe ao que é divino interferir nas tarefas dos homens.

Para os que crêem, a Deus, a seu filho e ao espírito santo cabe apenas a realização daqueles feitos que nós, homens e mulheres, não somos capazes, mesmo com o maior dos esforços, de realizar. É o que chamamos de milagre.

Deus não vai gastar seu tempo – mas certamente não é pelo tempo, mas por uma questão de justiça – em me ajudar, por exemplo, na condição de advogado, a ganhar uma causa. Não seria justo, até porque, se Ele resolvesse atender todo mundo que pede esse tipo de coisa, terminaria tudo empate, tal qual o caso do campeonato baiano de futebol.

Ele permitiu que chegássemos até aqui. O resto é conosco, vai depender do nosso esforço, sem deixar de acreditar que Ele torce por todos aqueles que se dispõem a fazer o bem, a fazer o que é correto, o que é justo.

Se, e quando, nos dirigirmos a Deus, que seja para agradecer. Se for para pedir, que seja algo impossível, mas mega-sena ou um corpinho bonito, nem pensar.

José Carlos Botelho Tedesco (Alemão Tedesco) é advogado e mora no oeste paulista.

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