Quem sabe de mim sou eu

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Quantas vezes mesmo sem ser, ou ter sido, pai de adolescente, já não ouvimos a frase que responde pelo título dessas despretensiosas linhas? Pela experiência de vida dos leitores (para não dizer idade), creio que muitas.

Me apropriando da questão, não lembro de ter dito “Quem sabe de mim sou eu” em voz alta, mas que já pensei, com certeza já pensei, em especial quando alguém, que se supunha conhecedor de todas as vicissitudes do mundo, vinha dar palpite de como eu deveria agir diante de determinada situação.

Sem querer filosofar filosofia de botequim, mas sendo ela a única que conheço, vamos lá: será que é realmente verdade que quem sabe de mim sou eu? Ou, jogando a bomba no colo do ranzinza leitor, será que quem sabe de você é mesmo você? Ou é a assistente do dentista?

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De uma maneira geral gostamos de ser vistos como seres completos, bons, melhores que as demais pessoas do mundo, a quem, por sinal, sempre atribuímos defeitos para que pareçam inferiores; gostamos, portanto, de nos ver como a “última bolacha do pacote”, a mais cobiçada de todas.

Será, porém, que essa imagem impoluta e bela que temos de nós mesmos resiste diante do atendente de farmácia que sabe do remédio para hemorroida que, talvez, eu disse talvez, algum dos leitores disfarçadamente pede no balcão?

E esse sorriso confiante e belo exibido em viagens e jantares chiques, e depois replicado no Instagram? Lembre-se que a auxiliar do dentista, e também ele, viram sua boca banguela depois que você perdeu o dente da frente por não escová-lo direito.
Em verdade, assim como o atendente da farmácia, a assistente do dentista e a caixa do supermercado que, mesmo sem querer acaba sabendo o tamanho do preservativo (P) que o viril atleta que se exercita na orla usa (afinal, ela tem que passar a compra, né?), muitos outros sabem de nós.

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Por outros meios, em especial pelos atos praticados quando acreditamos que ninguém está vendo, nossos defeitos da alma também acabam expostos muito mais do que gostaríamos; além disso, nossas idiossincrasias deixam pistas dos preconceitos que empunhamos, dos medos que nos afligem e das incapacidades que nos paralisam, o que me leva a crer que, mesmo que doa um pouco, exercitar a humildade talvez não seja de todo ruim.

José Carlos Botelho Tedesco (Alemão Tedesco) é advogado, pai do Luigi, namorado da Juliana, filho do seu Tedesco e da professora Maria Antonia

e-mail: zeum@uol.com.br / Facebook: Alemão Tedesco e Alemão Tedesco II /  Twitter: @alemaotedesco

PS. E daí? Continua acreditando que só quem sabe de você é você mesmo? Ou pode ser que a sua pedicure também saiba algo a seu respeito? Que chulé….

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