Envelheço na cidade

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Nós envelhecemos, cidades não; quer dizer, até envelhecem, mas num ritmo bem diferente do nosso. E dificilmente morrem; já a gente….
Claro que esse papo de cidade e envelhecimento sinaliza que vou falar do natalício da minha cidade natal, da cidade adotada por meus pais há 60 anos (ou ela os adotou?). Enfim, aqui estou para comemorar o aniversário de Presidente Epitácio.

Só que festejar o aniversário de uma cidade não é o mesmo que comemorar aniversário de criança, pois não tem coxinha, nem quibe e tampouco cachorro quente. Para não falar de bexigas. Estranho.

Não se trata também de festejar o envelhecimento de um jovem ou de um adulto, já que não há música, cerveja ou churrasco. E nem bolo. Difícil…

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O que diriam os leitores para Epitácio nesse 27 de março? O que dizemos para os aniversariantes?
“Parabéns”, “Felicidades”, “Muitos anos de vida” e “Com quem será?” parecem não se encaixar nesse tipo de festejo, o que me leva ao ato, desesperado e final, de falar de mim mesmo. Lá vai.

Foi aqui, nessa terra, que no dia 26 de fevereiro do ano de 1967 nasci, pesando mais de quatro quilos e meio (nos dias de hoje seria chamado de obeso e submetido a uma dieta).

Quando criança, nas ruas que então existiam, praticamente todas sem asfalto à época, corri, brinquei, me escondi, sorri e, quando chorei, encontrei abrigo e conforto.

Na adolescência e juventude por aqui igualmente me diverti, sorri, baguncei, exagerei e também chorei, mas muito mais sorri e me diverti, é verdade. E de novo, sempre que precisei, encontrei lugares e pessoas, família ou amigos, que me acolheram.

Embora muitos ainda me tratem por ‘moleque’ (e acho que não é no sentido cronológico que o termo tem), a verdade é que cresci mais um pouco e, adulto, continuei a circular pela cidade, já com bairros e ruas novas (algumas asfaltadas) e, surpresa: enquanto trabalhava, estudava e me divertia, ganhei de presente mais uma família, agora composta pela Juliana e o Luigi.

Contrariando o costume, portanto, ao invés de eu presentear a aniversariante, ela e seu povo é que constantemente me presenteiam, donde só me resta dizer: obrigado por tudo Epitácio, e que você possa, com o trabalho e a ajuda de cada um de nós, vir a ser generosa assim com todos os seus filhos.

José Carlos Botelho Tedesco (Alemão Tedesco) é advogado e mora na cidade de Presidente Epitácio/SP
e-mail: zeum@uol.com.br / Facebook: Alemão Tedesco e Alemão Tedesco II /  Twitter: @alemaotedesco

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