FUI EU, SOU EU…

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Fui eu quem viveu grande parte da vida sem saber que o destino guardava uma grande surpresa para meu coração.

Fui eu que percebi que à medida que o tempo passava um vazio imenso em minha alma denunciava que algo de muito importante poderia acontecer a qualquer momento; algo assim que poderia determinar uma mudança radical em minha vida, ainda que isso pudesse acontecer um pouquinho além do esperado, pois que o tempo impiedoso poderia ser um algoz capaz de reservar uma surpresa que acabaria com aquilo que estava predestinado.

Fui eu que notei, um certo dia, que seus olhos olhavam fixos para mim e eu não tive como desviar o olhar, porque me senti como que hipnotizado, desmontado, descontrolado, pois via naquele olhar o encontro que o destino havia preparado para mim.

Fui eu que passou a viver a esperança de que esse olhar tinha algo muito além daquilo que estava acostumado observar.

Fui eu que, desesperado, com as mãos tremendo, fui ao computador e escrevi a mais calorosa confissão de amor que um ser humano poderia conseguir. Escrevi porque não havia, naquele momento, uma forma da gente falar sobre nós pessoalmente.
Fui eu quem ficou com a certeza de que você poderia decidir pelo nosso amor pois, embora tivesse ficado perplexa com minha declaração, não respondeu nem pelo sim, nem pelo não.

Fui eu quem passou a receber seus telefonemas dizendo disfarçadamente que não era feliz, e que daria uma última chance a quem vivia ao seu lado e sair para a vida a procura de alguém que lhe fizesse feliz.

Fui eu quem passou a receber seus telefonemas anônimos, colocando músicas de fundo como: “Meu Grande Amor” de Lara Fabian, “Frio da Solidão” com Chitãozinho e Xororó, “Amar, amar” de Amado Batista, e tantas outras músicas que marcaram momentos inesquecíveis.
Fui eu que recebi, enfim, numa noite seu telefonema onde falamos mais de três horas, quando você me fez a proposta de vivermos juntos. Também fui eu que me senti o homem mais feliz do mundo ao poder lhe dizer: “Concordo, e deste momento em diante vou viver apenas em função desse nosso grande amor”.

Fui eu que resolvi para você uma série de problemas “pequenos” e me sentia satisfeito porque aquilo, a mim me parecia que você havia me adotado como parte definitiva de sua vida. Meus Deus, como eu me sentia feliz!!!

Fui eu que aceitei sua sugestão de reduzir a bebida, de me vestir melhor. Joguei imediatamente o resto de vodka na pia e passei a andar bem vestido, pois isso, para mim são coisas lindas que sé podia acontecer para quem está amando de verdade.
Fui eu que mandei flores sem assinatura e cartas de amor nos acontecimentos felizes como aniversário, Dia da Mulher, Dia das Mães e tudo mais.

Fui eu quem corria em seu socorro quando se sentia mal de saúde, levando remédios comprados às carreiras. Também virei a cidade no avesso para encontrar mentruz (mastruço – erva com propriedades medicinais) para seu dolorido calcanhar.

Fui eu quem enfrentou o mundo por você. Fui eu que perdi amigos, rompi com meus familiares, sofri todos os tipos de insultos que um homem pode suportar em nome desse amor.

Mas… sou eu que esperei aquele momento, instante mágico que, por ironia do destino, não aconteceu.
Sou eu que perdi você sem mesmo ter tido você.
Sou eu que perdi você sem saber ao menos por quê.
Sou eu que percebi que existem pessoas que brincam com os sentimentos dos outros, mas não esperava isso logo de você…
Sou eu quem amou você e que ama você como nunca amou ninguém assim…
Sou eu que recordo as coisas bonitas que você me ensinou…
Sou eu que não consigo esquecer você…
Sou eu que perdendo você… me perdi…
Sou eu que cheguei à conclusão de que não sei viver sem esse amor, e que esse sonho que tenho na vida pode esperar, não cansa de esperar.

Porque no mundo ninguém vive sem amor…

por Lourival S. Bortolin

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