Sociedade dos Livres Pensadores recebe pesquisadora para falar sobre genocídio em Ruanda

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O mês de abril de 2019 marcou os 25 anos do genocídio em Ruanda, país africano que teve mais de 1 milhão de pessoas dizimadas em apenas 100 dias por extremistas étnicos hutus no ano de 1994. Para abordar esse tema pouco lembrado na história da humanidade, a Sociedade dos Livres Pensadores recebeu a docente, advogada e pesquisadora Ligia Maria Lario Fructuozo no sábado, 27, na fct Unesp.

Por 11 dias no mês de abril desse ano, Ligia deixou sua rotina de lado e foi pessoalmente a Ruanda, ou como é chamada carinhosamente de “país das mil colinas”. Em sua passagem por lá, a pesquisadora visitou museus, memoriais, conversou com vítimas e sobreviventes do massacre e até chegou a prestigiar o evento que marcou os 25 anos do genocídio.

O genocídio contra os tutsis foi gerado pela ideologia do ódio e da discriminação, ensinada desde o fim dos anos 1950, onde começam os conflitos esporádicos e leis restritivas aos tutsis são aprovadas. E, então, na calada noite de 06 de abril de 1994, após o avião que levava seu presidente, Juvénal Habyarimana, ser abatido por um míssil, ruas e estradas começaram a ser bloqueadas por assassinos armados com facões. Kigali, a capital, não dormiu naquela noite, tomada pelo ódio propagado por emissoras de rádio onde ministros do governo foram pedir o extermínio dos tutsis, já que erroneamente foram acusados pelo assassinato.

Com de 100 dias depois do início dos ataques, onde milhares morreram, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), apoiada pelo exército de Uganda, gradualmente conquistou mais território, até 4 de julho, quando as suas forças marcharam para a capital, Kigali, dando fim aos ataques.

Atualmente, é crime distinguir as pessoas como hutus ou tutsis; eles são considerados como uma única nação ruandesa (o que, aliás, deveria ter sido desde sempre). O país está em pleno desenvolvimento, e é considerado o mais seguro da África. “Hoje eles se reconstroem dia após dia, e não comentam o que aconteceu. É como se tentassem apagar esse terrível capítulo da história e iniciassem um novo, cujo o perdão é a palavra de ordem”, pontuou Ligia.

Assessora de Imprensa Francinara Nepomuceno

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