Onde estão nossos eventos?

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É importante diagnosticar e avaliar os possíveis nichos em que estão atuando o mercado, quais as tendências de demanda, perfil do público alvo e o que está acontecendo em nossa cidade, para posteriormente traçar estratégias de crescimento e fomento de qualquer atividade do turismo.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Eventos, apesar da crise e da instabilidade política que o país atravessa, o setor continua crescendo e ocupa o terceiro lugar no ranking de motivos que faz, principalmente estrangeiros, virem ao Brasil.

Mas, se o segmento está em crescimento em todo país, o que aconteceu com os eventos consolidados da Estância Turística de Presidente Epitácio? Pois bem, uma cidade que tem o título supracitado deveria ter um calendário anual com datas fixas para tais acontecimentos, como era o tradicional piquenique do dia do trabalhador no antigo Parque O Figueiral, o saudoso Festival Nacional de Pesca/FENAPESCA que posteriormente se tornou FESTUR, e hoje se resume no tímido Torneio de Pesca Amadora, a grande encenação da Paixão de Cristo que teve um início tímido próximo à Praça do Cruzeiro, onde por anos este colunista, foi o anjo que anunciava a ressureição de Jesus, e por fim os imponentes desfiles das escolas de samba, considerado um dos melhores do estado e que não existe mais de forma efetiva, pois acontece um ano e permanece três ou mais sem realização.

Claro que nem sempre a culpa é da gestão pública, existem instituições, grêmios e associações por trás desses eventos e que também podem fazer a sua parte, mas a grande sacada para que tudo aconteça sem a descontinuidade, é a parceria, a iniciativa, a boa vontade dos organizadores e gestores públicos, e ainda o apoio do Conselho Municipal de Turismo que muito pode fortalecer essas ações. Todos devem fazer a sua parte, inclusive a população que precisa se apropriar do que lhe pertence e cobrar os responsáveis.

Como podemos desejar que nossa bela Joia Ribeirinha seja realmente uma cidade turística, e que todos caminham para lados opostos? Precisamos no mínimo dar continuidade aos eventos. Precisamos que se mantenha a verdadeira identidade dos mesmos, podendo até ser repaginado, mas jamais mudar o nome. Um evento é um produto que a cidade oferece, as pessoas esperam aquele determinado acontecimento nas datas que estão acostumadas, e se planejam para tal, por isso a importância de um calendário anual, baseado no turismo da região, e que tenha uma identidade. O objetivo de um calendário de eventos é ajudar a divulgar os principais acontecimentos, servindo como uma importante fonte de informação para auxiliar, planejar e motivar o turista para suas viagens.
A divulgação do calendário é fundamental para incentivar o fluxo turístico e gerar renda para os munícipes, principalmente em períodos de baixa temporada. Um exemplo de como essa sistemática contribui com o fim da sazonalidade, é o município de Bonito – MS, que entre tantos atrativos naturais também sofria com a ausência de turistas em determinado período do ano, mas que algum tempo se reinventou, criando eventos como o Festival de Inverno e a Festa da Guavira que hoje, já estão consolidados e esperados pelo público.

Para os turistas, os eventos têm uma importância significativa, pois quando se viaja para recreação, lazer ou descanso, procura por diversão e entretenimento, e uma cidade com maior diversidade de eventos se torna mais atraente. Desta maneira, todos saem ganhando: o município com arrecadação de impostos, a população local pelo entretenimento e oportunidade de emprego, geração de renda, e os visitantes por terem uma opção que permeia desde o descanso até divertimento.

A Estância Turística de Presidente Epitácio tem um forte potencial turístico, principalmente com histórico de eventos que contribuíram com o fortalecimento do segmento na localidade, para tanto, é necessária uma sistemática responsável na manutenção dos mesmos para que assim não se perca a tradição e o elo seja quebrado, pois entende-se que investir em eventos é acreditar no turismo.

Será que realmente existe uma força tarefa para potencializar a atividade turística local? Será que existem mesmo políticas públicas para a maior vocação da cidade? Precisamos cobrar onde estão nossos eventos e entender o que verdadeiramente acontece.

Os empresários precisam contribuir atuando efetivamente em prol do turismo. Sabe-se que o comércio ainda tem muito que melhorar, principalmente estando dispostos a atender aos finais de semana e feriados, e durante a alta temporada. Uma cidade que pretende viver do turismo precisa estar disposta a ter uma atuação mais pontual, evidenciando o bem receber. Empreendimentos como restaurantes, supermercados e lojas de souvenirs precisam estar abertas em período de grande fluxo. A comunidade precisa estar disposta a receber os turistas e exigir das autoridades que se cumpram itens do plano de governo, tais como, desenvolvimento de meios de promoção, destaque do setor gastronômico, além da exposição do turismo rural, podendo ser criados diversos eventos nessas áreas.

Enfim, parafraseando Henry Ford, um dos maiores empreendedores do mundo, “todos envolvidos precisam entender a importância do trabalho em conjunto pela coletividade, pois reunir-se é um começo, permanecer juntos é um progresso, e trabalhar juntos é um sucesso”.

Será que todos os envolvidos estão fazendo sua parte?

Até a próxima!

Wantuyr Tartari

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