Thiago Calçado fala sobre a estética entre o belo e o trágico na filosofia

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No último sábado de setembro (28) a Sociedade dos Livres Pensadores recebeu na fct UNESP o docente e padre Thiago Calçado para falar sobre “A estética entre o belo e o trágico” e sobre sua recente obra “O rumo do rio é reza”, a qual relata, poeticamente, histórias de famílias da cidade de Rosana.

Kant, filósofo, nos ensinou que existe uma divergência entre o gosto individual e o belo. “Nem todo gosto é belo, mas tudo o que é belo nós devemos nos educar a gostar”, mencionou Thiago Calçado. O gosto é subjetivo, mas a beleza tem alguns critérios que fazem com aquele elemento se torne universalmente apreciado. “O b¬¬elo artístico é original e não possui uma utilidade objetiva, mas absurdamente necessária para a vida”, completou.

A beleza não permite preconceitos, e é aquilo que produz um prazer universalmente partilhado. “Aristóteles disse que não existe ética sem a poiética, ou seja, não existe ética sem a relação direta com a beleza. Essa separação foi a modernidade quem fez, sobretudo, com a ascensão do capitalismo, o qual transforma tudo em objeto, mas a beleza vai além disso”, explicou o docente em Filosofia.

Nietzsche apresentou outro tipo de significado ao belo, onde propôs em sua filosofia uma vida estética e que faça emergir uma nova forma de relacionamento consigo, com o universo, valores e a própria moralidade. “Nietzsche falou como o homem deve aproximar-se da beleza, ser envolvido por ela, e traduzir nossa vida como se fosse uma obra de arte”, ressaltou Calçado. Nietzsche também falou do trágico, o qual é aquilo que nos faz entender e suportar a tragédia, e dá sentido ao drama. “Na poesia grega, o drama é aquilo que nos faz entender a própria vida, e como o drama termina com o final trágico, nos permite a dar sentido pela beleza que está no percurso disso tudo”, salientou Calçado.

Na poesia, a sua beleza está na capacidade infinita de não reduzir o mundo ao conceito e transformar o lugar necessário na imaginação. Dessa maneira, no livro “O rumo do rio é reza” Thiago Calçado relatou com poesias a vida humilde de famílias moradoras na cidade de Rosana. “Da língua do povo encontra-se o belo. A língua do povo traz poesias escondidas através de sua sensibilidade”, pontuou.

por Assessora de Imprensa / Francinara Nepomuceno

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