Sejusp rastreia viaturas e estuda aumento salarial para diminuir corrupção policial

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A descoberta só neste ano da participação de pelo menos 35 policiais de Mato Grosso do Sul como facilitadores do tráfico de drogas e do contrabando de cigarros mostra que, apesar da repressão, especialmente por parte dos corregedores, o Estado tem sido ineficaz ao tentar frear a corrupção de servidores.

Por este motivo, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) adota medidas para minimizar os problemas. Viaturas de unidades que operam na linha internacional têm sido rastreadas. Também está em debate a criação de acréscimo salarial para os policiais que atuam na faixa de fronteira, como forma de motivar os policiais íntegros.

No entanto, o secretário Antônio Carlos Videira sabe que a tarefa não é fácil. No sábado, por exemplo, durante a Operação Nepsis, deflagrada pela Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal (PRF) contra esquema de cigarreiros, foram presos 12 policiais, dentro os quais 6 PRFs e os demais civis e militares, alguns deles, inclusive, já estavam na cadeia em razão da operação Oiketicus, deflagrada meses atrás pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Só em 2017, o grupo movimento cerca de R$ 1,5 bilhão.

As cifras altas mostram que o poder de “sedução” dos contrabandistas está muito além do que o estado pode oferecer como contrapartida aos policiais. “Em todos os casos, vemos que estes policiais levam uma vida luxuosa, incompatível com a função que despenham”, disse o secretário.

AUMENTO

Diante deste cenário, a Sejusp discute com a Secretaria Nacional de Segurança Pública medidas como aumento para os policiais da fronteira, como forma de estímulo a não se corromperem. “Seria um percentual do salário, assim como já acontece com a PRF”, disse. Outra medida, seria a “compra” das horas de folga, aumentando os ganhos do policial.

No entanto, isso depende de ampla discussão e liberação de recursos. Dentro do que compete às suas atribuições, o Estado tem rastreado viaturas que atuam na fronteira, como forma de registrar por onde os policiais estiveram durante expediente e, em caso de suspeita de corrupção, ter mais informações para elaborar fundamentos.

Além disso, pede mais rigor à corregedoria. “Nosso corregedores, como no caso da Polícia Militar, são policiais experientes e capazes para conduzir os processos da forma adequada, garantindo a ampla defesa”, pontuou. Neste sentido, os cursos de formação dispõe de conteúdo específico sobre corrupção, com módulos ministrados pela Polícia Federal, corregedores e promotores, explicando sobre o risco. “É uma maneira de prevenir”, explicou Videira.

As corregedorias ainda realizam correições extraordinárias. Ou seja, sem aviso, fazem fiscalização em batalhões, a fim de detectar possíveis irregularidades. Todas as informações colhidas são compartilhadas com a PF e a PRF, a fim de permitir que operações como a Nepsis, que levou anos para ser desencadeada, sejam realizadas com sucesso. “Nem sempre a gente reprimi o policial logo na primeira suspeita. Não adianta prender só o policial corrupto, também é importante chegar aos financiadores. Por isso trabalhamos em sintonia”, pontuou o secretário.

CORRUPÇÃO POLICIAL

Desde o início deste ano, mais de 35 policiais foram presos em Mato Grosso do Sul, por envolvimento em crimes. A maioria é da Polícia Militar, que em maio foi principal alvo da Oiketikus – operação que investiga policiais suspeitos de cobrar propina para facilitar o trânsito de contrabandistas em rodovias estaduais e municípios. Houve ainda a Operação Laços de Família, que apontou um PM como chefe de quadrilha de traficantes. No sábado, foram 12 policiais presos, incluindo PRFs, PMs e policiais civis.

CORREIO DO ESTADO

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